quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Que segredo há por trás da música 'Hotel Califórnia'?


"Hotel California" é a faixa-título do quinto álbum de estúdio da banda de rock americana Eagles. Lançado em 8 de Dezembro de 1976, o álbum vendeu mais de 16 milhões de cópias e foi considerado por muitos críticos de rock como o melhor álbum de todos os tempos. A música "Hotel California", escrita por Don Felder, Don Henley e Glenn Frey, ganhou o Grammy na categoria "Gravação do Ano" e se tornou a canção de maior sucesso do grupo.

"Hotel California" narra a história de um viajante cansado que fica preso em um hotel de luxo (que num primeiro momento parece convidativo e tentador, mas que se torna um pesadelo). Porém, a letra obscura fez surgir várias teorias sobre o verdadeiro teor da música. Muitos viam o Diabo na letra, outros um hospício, e até mesmo, o vício em drogas pesadas.

Entre dezenas das mais variadas teorias sobre a letra de "Hotel California", cito, abaixo, as mais famosas:


• Especulava-se que o "Hotel California" citado na canção se referia ao "Camarillo State Hospital", um hospital psiquiátrico localizado no município de Ventura, entre Los Angeles e Santa Bárbara (foto acima), que esteve em operação de 1936 a 1997. Alguns famosos que sofreram de doenças mentais, tuberculose ou desintoxicação por drogas ou álcool, foram tratados em Camarillo, como Charlie Parker Jr, que se internou no hospital para se desintoxicar do vício de heroína. Após encerrar suas atividades, em Junho de 1997, o hospital, que seria destinado a se tornar uma prisão, acabou se transformando na Universidade do Estado da Califórnia. A maioria dos edifícios do Complexo foram preservados e restaurados, inclusive a torre com o sino das missões, original de 1930, e que é citado em um trecho da música ("eu ouvi o sino da missão").

• Uma das versões mais esdrúxulas era a de que o hotel realmente existia e era administrado por canibais, que devoravam os hóspedes.

• No entanto, a teoria que ganhou mais força era a de que "Hotel California" seria uma metáfora para o Inferno e que a música falava em adoração ao Diabo, já que a letra cita "tentar matar a besta" e "nós não temos este espírito aqui desde 1969". O boato foi alimentado pela concepção do álbum: a capa interna mostrava a fotografia de algumas pessoas no pátio de uma pousada espanhola e, em uma varanda, sobre elas, pairava uma figura sombria, que muitos associaram a Anton LaVey, que fundou a Igreja de Satã no ano de 1966, em San Francisco, Califórnia, EUA. A canção seria uma homenagem ao local onde LaVey escreveu a "Bíblia Satânica". Pesou o fato da "Bíblia" em questão ter sido publicada em 1969, data citada na música. Alguns afirmavam que os integrantes do Eagles estavam envolvidos com ocultismo e eram discípulos de LaVey. Houve quem chegasse a apontar um fantasma na capa do álbum, que teria sido captado pela camera fotográfica, e que seria de um homem assassinado por La Vey em um ritual de sacrificio humano.

• Havia também quem associasse a música à toxicodependência e que "Hotel California" era um código para cocaína, levantando suspeitas de que a letra descrevia uma "viagem" sob o efeito da droga. A frase "Logo à frente, eu vi uma luz trêmula... Minha cabeça pesou e minha vista embaçou" seria uma alusão aos efeitos da droga. E vão mais longe ao afirmar que as iniciais de "Hotel California", H e C, significaria "High Cocaína", uma droga que depois que você experimenta não consegue mais largar.

Apesar de algumas versões terem seu fundo de lógica, Don Henley, um dos autores da música, desmentiu todas e declarou que a canção é uma alegoria sobre o hedonismo e relata o lado sombrio do sonho americano e sobre os excessos na América, principalmente no mundo da música.

O álbum teria como tema subjacente a corrupção de estrelas do rock pela decadente industria fonográfica de Los Angeles, e a faixa-título (Hotel California) descreve uma prisão dourada onde o artista entra livremente e depois descobre que não pode mais sair.

O verdadeiro "Hotel California" não é um lugar, mas uma metáfora para a industria da música, localizada na costa oeste, e seu efeito sobre músicos talentosos que se encontram enredados em sua teia de brilho.


E só para constar... O hotel que aparece na capa do álbum é o Beverly Hills Hotel, conhecido como Pink Palace (foto acima), muito frequentado por estrelas de Hollywood. E a "figura sombria", que aparece na varanda, e que muitos achavam ser Anton LaVey, era na verdade uma modelo contratada para posar para a capa do álbum.

Assista o clip de "Hotel California" com legendas em português:


Fonte: passeandopelocotidiano.blogspot.com - Imagens: Reprodução 

terça-feira, 13 de setembro de 2011

O Desenho de Satã (O assustador desenho em Stop Motion que foi banido da TV)

Uma animação de stop motion criada em 1985 criou muita confusão na internet tempos atrás. Ela não foi exibido nas TV's dos Estados Unidos devido a uma proibição com a alegação de que o vídeo era satânico e atormentador. Mas, isso não impediu que ele fosse digitalizado e postado no YouTube. Assim, o vídeo tornou-se febre e tomou conta da rede. Dizem que o vídeo é recheado de mensagens subliminares… Bem, assista e julgue você mesmo... (legendado em português):


Fonte: http://ahduvido.com.br

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A menina e seu cachorro ou A Lenda dos Pingos

Uma pequena garota estava sozinha em casa com seu cachorro para a proteger. Quando a noite chegou, ela trancou todas as portas e tentou trancar todas as janelas mas uma se recusava a fechar.

Ela decidiu deixar a janela destrancada e então foi para cama. Seu cachorro tomou seu lugar de costume embaixo da cama. No meio da noite ela acordou por causa de um som de gotas vindo do banheiro.

A menina, muito assustada para ir ver o que era, estendeu sua mão para baixo da cama. Ela sentiu a lambida de seu cachorro e então voltou a dormir.

Logo depois, acordou, novamente por causa do som das gotas... Mais uma vez, estendeu sua mão para baixo da cama, sentiu a lambida e voltou a dormir.

Tudo se repetiu por mais uma vez... Acordou, estendeu a mão e sentiu a lambida.

Porém, curiosa sobre a causa do som das gotas, ela se levantou e lentamente caminhou até o banheiro.

O ruído causado pelos pingos foi ficando mais alto conforme ela foi se aproximando.

Ao chegar ao banheiro, ele ligou a luz e foi recebida por um terrível sinal: pendurado no chuveiro, estava seu cachorro com a garganta cortada e seu sangue caindo na banheira. Mas, não era só! Alguma coisa no espelho do banheiro chamou sua atenção e ela se virou para olhar.

Escrito no espelho com o sangue de seu cachorro estavam as palavras “HUMANOS TAMBÉM SABEM LAMBER”.


Fonte: Cia do Medo - Imagem via brunarocks.blogspot.com

Mensagem secreta no navegador Mozilla Firefox

Não sei se alguém tem conhecimento disso, mas nos navegadores Mozilla Firefox, Netscape e Seamonkey, se você digitar na barra de endereços "about:mozilla" a tela fica vermelha e com um pequeno texto como se fosse uma passagem da Bíblia. Na verdade, é uma passagem do "Livro de Mozilla" (?!?).

Clique na imagem para ampliá-la
Digitando no Firefox aparece o seguinte texto: 'Mamon adormeceu. E o renascimento da criatura disseminou-se pela terra e seus seguidores tornaram-se exércitos. E eles apregoaram a mensagem e sacrificaram lavouras com fogo, com a astúcia das raposas. E eles criaram um novo mundo à sua imagem e semelhança conforme prometido pelo texto sagrado e contaram da criatura para suas crianças. Mamon despertou e, veja só, nada mais era do que um discípulo. De O Livro de Mozilla, 11:9 (10ª edição)'.

Em outras edições do Mozilla, também aparece essa mensagem: 'Por fim, a criatura sucumbiu e os infiéis regozijaram-se. Porém, nem tudo fora destruído, pois das cinzas ergueu-se um imponente pássaro. O pássaro mirou os infiéis e lançou sobre eles o fogo e o trovão. A criatura renascera com forças renovadas e os discípulos de Mamon encolheram-se horrorizados. de O Livro de Mozilla, 7:15'.

Pesquisado, o tal Livro de Mozilla seria apenas um easter egg (*) dos navegadores... Mas é uma brincadeira no mínimo estranha,não é? Estariam os navegadores escondendo alguma profecia? Teriam eles algum pacto? Será que existe realmente o Livro de Mozilla? Façam o teste e vejam o que aparece.

Parece ser uma sátira ao domínio da Microsoft e a suposta "virada" do Firefox.

'E o renascimento da criatura disseminou-se pela terra e seus seguidores tornaram-se exércitos. E eles apregoaram a mensagem e sacrificaram lavouras com fogo, com a astúcia das raposas.'

Firefox = raposa de fogo. Bastante fogo e raposa aí, né?

'Porém nem tudo fora destruído, pois das cinzas ergueu-se um imponente pássaro. O pássaro mirou os infiéis e lançou sobre eles o fogo e o trovão'

Thunderbird? Outro produto da Mozilla. E o 'Mamon' talvez seja a Microsoft em si.

Seria apenas uma brincadeira ou haveria alguma coisa mística de fato.

* Em informática, um ovo de páscoa (ou easter egg, tradução para o inglês, como é mais conhecido) é qualquer coisa oculta, podendo ser encontrada em qualquer tipo de sistema virtual, incluindo músicas, filmes, videogames e etc.

Fontes: Gotica (Mr. Malas) / Wikipédia - Imagem via ciadomedo.files.wordpress.com

terça-feira, 6 de setembro de 2011

O caso das cobras na piscina de bolinhas no McDonald's

Cuidado com as piscinas de bolinhas!

Essa história de criança mordida de cobra é lenda que circula em todo o mundo.

Aconteceu no McDonald’s 9 de Julho em Jundiaí - SP; ou no McDonald’s da “avenida 9 de Julho”, sem indicação de cidade, ou em variados shopping centers e parques de diversões: Curitiba - PR, Franca e Piracicaba - SP, Uberlândia e Montes Claros - MG, Campos - RJ.

E também em Dallas, Midland e Houston - Texas, Baton Rouge - Louisiana, Arizona e no Alabama.

Em consequência da mordida da cobra, ou das mordidas das cobras, a criança morreu.

Em uma das versões, os donos da lanchonete teriam oferecido R$ 35.000,00 aos pais da criança para eles esquecerem o caso. Um absurdo! Uma desumanidade!

Outra versão diz: Amigos da Família divulgaram que O McDonald’s ofereceu pagar a indenização em dobro para que a família não divulgasse o caso. Mas não menciona a quantia original e fica a dúvida: dobro de quanto?

Este caso aconteceu dia 19/11/04 no McDonald’s da Av. 9 de Julho de Jundiaí, foi um cliente nosso de lá quem mandou a mensagem. Cliente de quem?


Em abril de 2005, circulou mensagem afirmando que o caso teria ocorrido na cidade de Goiânia - GO e, por conta disso, sete das oito lojas de uma rede de lanchonetes haviam sido fechadas. Ao voltar à tal lanchonete o pai da criança descobriu que havia um "ninho de cobra, com aproximadamente 23 filhotes".

Nessa mensagem, vale destacar as imprecisões:

- a contagem do número de cobras (aproximadamente 23 filhotes);
- a indicação da idade da criança (3 a 5 anos);
- a data do acidente (A [sic] mais ou menos um mês e meio atrás).

Quer dizer, apesar de se apresentar como o desabafo de uma pessoa ligada a família de "Maria" o(a) autor(a) da mensagem não sabe dizer a idade da criança nem tampouco se a idéia da Operação Abafa foi dos coordenadores ou [...] da família da vitima.

E quem redigiu o desabafo também não lembra quando ocorreu o suposto acidente.

Às vezes, a criança aparece toda picada (virou picadinho?:). Outras vezes, foram apenas duas mordidas, confundidas com picadas de pernilongos, borrachudos ou muriçocas, dependendo da região do país.

Pode não ter sido o mesmo animal, mas apenas a mesma lenda que andou passeando por outros lugares do planeta.

Nos EUA, uma mulher estava provando casacos numa loja de departamentos quando foi mordida por uma cobra. O réptil fora costurado dentro do forro do casaco no país de origem deles, da cobra e do casaco, um país sul-americano ou asiático, conforme a preferência do contador da história.

Mas não são apenas serpentes que povoam a imaginação dos passadores de lendas sobre lanchonetes.

Nos EUA, é famoso o caso de Kevin Archer, filho de Lauren Archer. Ele estava brincando numa dessas piscinas de bolas quando começou a reclamar de dor nas costas. Mais tarde, a criança começou a passar mal, morreu no hospital e a autópsia constatou que a morte fora conseqüência de overdose de heroína.

Ao esvaziar a piscina de bolas da lanchonete (McDonald’s ou Burger King), os policiais teriam encontrado comida estragada, facas, fraldas, fezes, urina e seringas contendo heroína. Um verdadeiro lixo.

A notícia espalhou-se rapidamente, pois o Houston Chronicle de 10 outubro de 1994 teria publicado a notícia. O jornal desmentiu: jamais publicara coisa semelhante.

Essas histórias circulam desde a década 80 e pode até existir alguém chamado Kevin Archer, mas jamais foram localizados nem o cadáver da criança, nem a sua família nem a lanchonete.

Kevin Archer tinha 3 anos de idade. A suposta vítima brasileira tinha 4 anos.

Seja como for, essas piscinas de bolas talvez recebam, diariamente, alguma dose de xixi e de cocô de criança e os riscos sejam outros. Visita de cobras?

O sáite da Difusora de Franca - SP tomou conhecimento do suposto acidente, fez as investigações e concluiu que tudo não passa de uma lenda urbana. A mesma coisa fez o saite Montesclaros.com: tudo mentira.

Investigando o suposto acidente, o Jornal de Piracicaba ouviu Carmelina de Toledo Piza, mestra em educação e contadora de histórias. "Ela afirma que as lendas urbanas surgem para preservar o mito, que alimenta o medo. Carmelina cita como lendas urbanas o saci-pererê, a mula-sem-cabeça, a loira-do-banheiro, o caboclinho-d'água e, mais recentemente, o chupa-cabras."

O saci, a mula-sem-cabeça, a loira-do-banheiro e o caboclinho-d'água são mitos locais do Sul do país. O chupa-cabras andou passeando por vários lugares do Brasil.

Na região da mata de Pernambuco, temos os mitos locais: a caipora e a comadre 'fulôzinha' dão muito trabalho aos que moram ou trabalham no campo. A alma de cavalo também prega sustos aos mais descuidados. Há duas décadas, ficou famosa a perna cabeluda que fazia horrores aqui no Recife.

Eu, particularmente, prefiro ouvir as histórias da irascível caipora e da ranzinza "cumadi fulôzinha". São mais divertidas e saborosas do que essas coisas de shoppings centers e sanduíches gordurosos com sabor de borracha.

Aparentemente inconseqüentes, histórias desse tipo trazem prejuízos para pessoas que nada têm a ver com ela. É o caso de Cristiane, empresária do ramo de diversões infantis do Rio Grande Sul. Diz ela: "Aqui em minha cidade (Santa Maria - RS) inventaram essa história e, por incrível que pareça, tive uma cliente que desistiu da locação de uma piscina de bolinhas pq a filha está traumatizada com a história do shopping."

Uma das versões afirma que o fato teria ocorrido no dia 19/11/04 no MC da Av. 9 de Julho de Jundiai e completa: Um amigo meu tecnico de segurança do trabalho me enviou este e-mail, que diga-se de passagem é de arrepiar os cabelos. Passem ele adiante, podemos assim evitar que outras tragédias como essa, independente do lugar, voltem a acontecer.

Maria Lúcia ficou preocupada, pois em sua cidade, Joinvile - SC, circulou história dizendo que uma criança [ ...] foi mordida por uma Jararaca na piscina de bolinha das lojas Havan.

Jararaca, cobra coral, cascavel. Essas cobras e suas histórias passeiam pelo Brasil e pelo mundo revelando o quanto as pessoas temem esses animais peçonhentos. Esse medo não é coisa recente, vem dos tempos mais remotos. Basta ver os diversos mitos envolvendo cobras de muitas cabeças, animais cujos membros são cobras ferocíssimas.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Noivos unidos pela luz da lua cheia

Uma gripe assolou a europa no início do século XX, concomitantemente à primeira guerra mundial. Conhecida como Pandemia, por causa da sua ação que mais tarde atingiria todos os continentes, ela inicialmente disseminou-se nas frentes de batalha, arrasando unidades inteiras de brigadas dos mais diferentes exércitos. Num segundo momento atingiria as cidades por onde os soldados haviam circulado.

Embora as autoridades sanitárias brasileiras julgassem que o país estaria imune a ação do vírus por conta da longa travessia marítima, o fato é que em meados de 1918, a doença que matou em poucos dias 25 milhões de europeus, e outras dez milhões de pessoas nos outros continentes, aportaria também no Brasil trazida pelos soldados que compunham a tímida frota nacional, a Rio Branco, composta na sua maioria por marinheiros noruegueses. Mas foram os poucos brasileiros que, ao desembarcarem aqui, trouxeram a peste...

Detectada inicialmente em Recife, na região do porto, em poucos dias alguns casos foram identificados em Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro. Restrita ao litoral, em pouco tempo subiu a serra e foi fazer vítimas também a quem jamais estivera no mar, quiçá em zona de batalha.

Helenita Cunha Bento Almeida, uma jovem de 13 anos prometida em casamento ao filho de um barão da cana de açucar de Conceição do Macabu, no Norte Fluminense, Delmiro Antunes Lopes Pinheiro, foi uma delas. Casamento marcado, ela passou todo o ano de 1919 ajudando a mãe, tia, madrinha e criadas a coser suas roupas, bordar vestidos e anáguas, com vistas ao casamento que prometia ser a maior recepção da cidade desde a passagem de Dom Pedro II por aquelas terras cerca de meio século antes.

O casal, lindo como uma noite de luar, segundo os registros da época, era a síntese do amor, da paixão, compreensão. Se havia na região algo que simbolizasse prosperidade, saúde e prazer, seria suplantado pela existência do casal Helenita e Delmiro.

A festa fora anunciada um ano antes pela cidade, região circunvizinha e nas badaladas Campos dos Goytacazes e Macaé. Os convites direcionados aos convidados do Rio de Janeiro, para garantir a pompa, seguiram em carruagens, embarcações marítimas e finalmente em lombo de burro e cavalo. Embora não houvessem mais escravos e nas grandes metrópoles o automóvel já fosse uma realidade, naquela região, onde predominava a elite rural, as manias do século XIX é que garantiam os ares de pompa e fidalguia...

Prova disso é que nas vestes, manifestações artísticas, culinária, jeitos e trejeitos, o chique e moderno era copiar o passado. Só ele permitia aos noivos e familiares o glamour da ostentação.

O fato é que uma semana antes do casório a peste chegou a Macabu. Os negros, herdeiros da escravidão, foram as primeiras vítimas. E tão rapidamente ocorreram as mortes que os corpos foram levados para o cemitério do centro da cidade, depositados em covas simples e sem direito a encomenda por ritual católico ou pagão.

Quando o povo, por ignorância, achava que apenas os negros, sabidamente mais fracos e doentes por conta da herança social, seriam os únicos acometidos, eis que Helenita tem um súbito mal-estar que evolui para a morte em menos de 24hs. A doença, para espanto geral, levava a óbito antes mesmo de diagnosticá-la.

Seguiu seu corpo em um cortejo só comparável ao de Motta Coqueiro, o último condenado a morte no Brasil, na mesma cidade de Conceição, meio século atrás.

A comoção e a tristeza tomou conta de toda a região. A bela e quase divina Helenita, com vocações para santa, obviamente, havia sucumbido a uma tragédia para qual ninguém se preparou. Seu corpo, para sorte da família ou ironia do destino, ocuparia a última cova ainda disponível no cemitério central.

Profundamente abalado, Delmiro trancou-se em seu silêncio, no escuro do quarto na fazenda do pai, em Campos, e de lá só saiu morto. Dois dias depois. Ele também fora contagiado pela peste e, como uma perversidade do destino, terminou por inaugurar o novo cemitério, localizado dois quilômetros fora da cidade, distante portanto de onde fora guardado o corpo de seu grande amor.

Passada a febre, que nos livros de história é caracterizada por partir tão rapidamente quanto chegou a determinado lugar, as lembranças do amor eterno e invejado de Helenita e Delmiro retornaram à memória popular. E cresciam cada vez mais embora no tempo ficassem mais e mais distantes. Mas justifica-se. Não foram duas, três ou quatro dezenas de pessoas que afirmaram ver um raio de luz seguir noite adentro da área do cemitério rural e, como um cometa, rasgar a escuridão até a praça central da cidade. Ali, luz de intensidade igual encontra ainda hoje, quase um século depois, a representação da vida de Delmiro. E as luzes dançam a mais bela valsa tal e qual teria dançado o casal se a mais badalada festa de casamento de Conceição de Macabu tivesse se realizado.

Os moradores, portanto, afirmam que o encontro até hoje se dá. Sob a luz do luar da bela Conceição de Macabu.

Fonte: Fábio Lau (Sobrenatural.Org)